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2009 |

 

COMO O DOBRADO SARGENTO CALHAU TORNOU-SE O HINO OFICIAL DA MARINHA DO BRASIL

Antonino Manuel do Espírito Santo (1844-1913), 1º Sargento Músico do Exército Brasileiro, foi um grande compositor de dobrados. São de sua autoria o “Avante Camaradas”, o “Bombardeio da Bahia”, o “Saudades da Minha Terra”, e muitos outros que dão brilho às cerimônias militares.

Por volta de 1913, ele compôs uma belíssima melodia em homenagem a um colega de farda. Nascia o dobrado “Sargento Calhau”.

Esse dobrado tornou-se muito conhecido, e passou a ser tocado com freqüência pelas bandas militares da Bahia, onde o Sargento Antonino serviu no 50º Batalhão de Caçadores, em Salvador, até a data de seu falecimento.

Acredita-se que a melodia tenha chegado ao conhecimento dos músicos da Marinha por meio da Segunda Companhia de Fuzileiros Navais de Salvador, que a havia incorporado ao repertório de sua banda de música.

Em 1916, o então 1º Tenente Francisco Dias Ribeiro, que servia no Quartel de Marinheiros, à época localizado na Ilha de Villegagnon, escreveu uma poesia inspirada no veleiro Benjamim Constant, o navio-escola, chamado de “Cisne Branco”, e a adaptou ao Dobrado Sargento Calhau, dando origem à conhecida canção que se tornou o hino oficial da Marinha do Brasil.

Durante muitos anos, acreditou-se que a letra seria de autoria do Sargento Músico Benedito Xavier de Macedo, cujo nome consta até hoje em muitas partituras. Porém, em 1977, por meio de intensa pesquisa levada a cabo pelo Vice-Almirante (IM-RRm) Estanislau Façanha Sobrinho, ficou provado que o verdadeiro autor é o Tenente Dias Ribeiro.

Em um detalhado e esclarecedor estudo publicado em 2009 pela Academia de Letras de Santo Amaro da Imperatriz, Santa Catarina, o Suboficial Músico (FN-RM1) Sebastião da Cruz, comenta a hipótese de o Sargento Macedo ter sido co-autor da letra ou colaborado no auxílio técnico da adaptação da poesia à música.

Antes de se tornar o hino oficial da Marinha do Brasil, a canção Cisne Branco foi registrada em antigas gravações com os nomes “Canção do Marinheiro” e “Garcinha Branca”.

Antonino Manuel do Espírito Santo também é o autor do Dobrado Sargento Júlio Monteiro, melodia da canção “Adeus Minha Escola Querida”, que tanto emociona os Guardas-Marinha que a entoam no dia de sua formatura. A letra é do Aspirante Luís Felippe Menezes de Magalhães, também autor do Hino da Escola Naval.

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